Soneto que ficou pra traz
Ricardo Souto
Será, um dia, assim, vagando eu ao acaso
Entrando em ruas andando a deriva
Que superado a dor da carne viva
Contemplarei as cinzas do ocaso
E do meu lado terno e displicente
Sentar-se-á o jovem a espera
Seja de um ônibus ou de uma quimera
Que irá me ler o coração dormente
Ele dará um riso em cortesia
Que me encherá as ruas de alegria
Como farol que mostra algum caminho
Sem perceber assim iluminado
Enterrarei de vez o meu passado
E me abrirei de novo a um carinho