CARTAS CRÔNICAS & DECLARAÇÕES DE AMOR

there´s a light that I never go´s out

VOCÊ, MATARIA JESUS?

Arquivar em: TEXTO — Ricardo Souto at 3:12 pm on Terça-feira, Fevereiro 12, 2008
 

VOCÊ, MATARIA JESUS?


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        Um jovem educado, calmo, simples que pregava o amor, acima de tudo o exemplificava, teria motivos pra morrer dolorosamente? Meigo e terno, calmo como as águas do Eufrates num final de tarde ensolarado. Rapaz que toda velhinha gostaria de ter como neto. Fiel, compreensivo, honesto, etc. Perfeito!!!! Você o mataria? Bom, suponhamos agora que você seja um simples gladiador, com aquelas vestimentas pesadas,  aqueles modos austeros, sem exclusividade alguma, numa vida dura com centenas de outros iguais a você. Só que você estuda, se esforça, aprende, luta… Pois você não nasceu em família nobre! E começa a galgar uma árdua carreira  política até chegar a posição gloriosa de governador. Agora você pode tudo! Que diferença né!? Como é boa a recompensa de longos esforços!!! Mas, vamos ao trabalho! Agora você tem responsabilidades a altura do seu título… Então, num desses dias, lhe trazem um jovem para ser julgado, fino, educado, inteligente, frágil, simples, com todas a as qualidades descritas no começo desse texto e é sua tarefa, você será o responsável pelo cruel  evento. Você está entre o povo que lhe elegeu, o clero, o rei e o condenado e lhe pesa a responsabilidade de dirigir da melhor forma, conscienciosamente o funesto evento. De cara você, muito experiente e vivido, percebe a inocência naquela criatura fragilzada pelos maus tratos e até argumenta risonho o porquê da acusação. E até ri. Mas, eis que de repente surpreendentemente o povo levanta-se em coro pedindo sua morte! Então você olha para seu superior na tentativa de cumplicidade, mas este também o condena.E agora!? Ele é inocente! Mas, do outro lado são os que lhe elegeram e o seu superior, se lhes contrariar terá sua posição comprometida. E toda a sua luta!? Seu titulo!?? Sua conquista!? Tudo ruirá pó causa de um jovem desconhecido que nem era de família nobre pelo menos!! Naquele tempo não havia televisão, e numa época mística, onde não havia ciências, e mulas-sem-cabeça e bois- tatas existiam a três por quatro, comprometer-se por um rapaz que vivia por aí com a ralé, com aparência de mendigo e que você só tinha ouvido falar de boca em boca de seus feitos incríveis!?? Aí, num ultimo apelo dos céus sua mulher tem um sonho com o tal mendigo onde, segundo ela, é avisada de que não o condenasse pois se tratava de um justo… Mas como dizer a ela que se fizesse isso teria que tirar os meninos do colégio particular, mudar-se de um palácio para um barraco, isso se não fosse também maltratado e até morto por conspirar em cumplicidade com o réu…   Você, mataria Jesus!?????                                    
                                                    (Ricardo Souto)
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Ninguem Errou!!!!

Arquivar em: TEXTO — Ricardo Souto at 5:44 pm on Sexta-feira, Fevereiro 1, 2008

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    Meu nome é Augusto, nasci saudável. Como filho de pais burgueses, classe média assalariada, tive tudo para ser, e fui uma criança saudável e educada. Meus pais, sempre dentro dos princípios ético- morais que culturalmente regem uma família enquadrada e “normal”, pelo menos dentro de suas convicções sinceras, passaram-me boa conduta e disciplina. Lembro-me sempre das peladas aos sábados com meu pai superparticipativo e orgulhosos, pra quem, sem sombra de dúvida, eu já era um grande vencedor, um grande craque da seleção brasileira. Fora a atenção, cresci cercado de comodidades, que, admito, fazia-me privilegiado ante aqueles que não tem sequer um lar. Após a adolescência, educado e amado, num cenário perfeito de sucessos pessoais, sem nunca ter pensado sobre, conheci eu o amor. Pelo menos na minha forma de vê-lo, que não é diferente da de ninguém posto que todos amamos a partir das nossas idealizações buscadas na pessoa do outro. E vi-me, inconscientemente tomado por esse novo sentimento, ao qual todos chamavam paixão. Só que não nos moldes “ético-morais” convencionais, mas da forma que falava mais alto meu coração, minha inclinação natural, ou seja fui tomado de assalto por uma bomba, eu era homossexual!!! Não precisa dizer que como membro de uma família mediana tradicional, de anjo passei a demônio, de pluma leve à pancada mais intragável e forte, um dilúvio, um dos tentáculos da besta do apocalipse que se espraia pela sociedade destruindo a “moral” e os “bons costumes” O que é pior saído da “nossa família!!” E aí vem a frase clássica dos pais: Onde erramos!? Na verdade, quem me ver como ser humano, que sou, vai ver-me relativamente feliz, como qualquer um, vivendo do meu trabalho, educado, minimamente equilibrado para viver em comunhão social Agradeço a Deus os meus pais que me deram a base pra ser o ser humano que sou hoje, que com certeza não resume-se à sexualidade. Ninguém errou! Todos somos individualidades riquíssimas, com gostos, caracteres, qualidades, defeitos e com um acúmulo de experiências próprias e intransferível, apreendido através da vida e “das vidas”, num conjunto de valores que formam a personalidade atual. Tolo quem acha que algum sermão ou reprimenda, ou simples crítica vai mudar uma realidade de cunho tão profundo ou complexo quanto nossa postura psíquica diante da vida. Não só a sexualidade, mas tudo que captamos, digerimos como informação e principalmente vivenciamos submetemos a análise de nossa própria razão, formando o conjunto de nossa individualidade, a identidade, que no íntimo, queiramos ou não, quer a aceitemos ou não, somos! E inconscientemente a exteriorizamos. Ninguém pode ser feliz sem conhecer a si mesmo! Sem assumir uma postura sincera consigo e seus valores mais íntimos ante a vida. Não é assumir pra ninguém, mas pra si mesmo. Saber se trabalhar com equilíbrio optando por uma posição, qualquer que seja ela com responsabilidade e respeito, mas consciente de sua condição. Já dizia o sábio Sócrates: Conhece-te a ti mesmo! Mas como conhecer a mim mesmo e conseqüentemente ser feliz se quando parto pra o meu mundo exterior o universo de valores ultrapassados que me rodeia é hostil, cruel e implacável com minha condição, com minha personalidade, ou seja, comigo!! Já adulto, as vezes, sinto falta de um afago, de um carinho experiente e protetor que só encontramos naqueles seres sublimes a quem Deus, um dia, deu a responsabilidade de nos ter por dependentes material e afetivamente: nossos pais! Oro muito pelos meus. Não deveriam pensar em como estou, mais em como sou!! Tenho a certeza que segui meu coração da maneira mais cômoda pra me exercer sadiamente como ser humano. Se já pensei em suicídio pelo fato de não ser perfeito, lembro-me que ninguém o é, pela maldade do mundo, pelo ato de não amarem um ser humano, um amigo, um irmão, um filho acima de seus preconceitos. Ricardo Souto

ASAS DE AMOR

Arquivar em: TEXTO — Ricardo Souto at 3:40 pm on Sexta-feira, Fevereiro 1, 2008

images.jpgTinho, não sou nada, nada tenho, e sendo sincero não sinto falta de muita coisa não. Talvez por ter vivido um pouco, com muita dor, matando as ilusões que encarceravam minha alma quando achava estar livre, quando me prendia mais as rédeas do egoísmo. Descobrir que há um plano pras nossas vidas não é fácil, principalmente quando sintonizamos ainda com muito de valores fora da faixa do amor quando já o entendemos. A juventude não é desculpa posto que o espírito é velho, a compreensão é abundante. Casar pensamentos e atos não é fácil, mas se a águia não se arriscar nos penhascos, sua capacidade de voar, sua liberdade, autonomia não serão abundantes pra sua condição natural de predadora, correndo o risco de não ser apta àquilo que se comprometeu na cadeia em que lhe cabe por servir e ser servida posto que cumprir seu dever é antes de tudo preservar a si mesma, é ser fiel a sua natureza. Sei que não é fácil, estou muito longe de ser o dono da verdade. Mas, tenho, como a águia, um dever, cumpri-lo com amor é o que me cabe. Quando penso que amar é acatar, sempre dizer sim, lembro que não posso ser conivente com medo alheio, lembro da mãe águia, que lança, chegada a hora, “impiedosamente”, o filhote do penhasco, lhe dói! é mãe! ela ama, se houvesse outro dispositivo ou mecanismo da natureza, ela certamente o escolheria. Seu amor certamente já vasculhou todas as possibilidades de poupar-lhe, mas, não!não!, o tempo urge, é agora ou nunca, se não suas asas atrofiam, e ao invés de bem será o mal. Ter que ser ágil para a águia mãe nesse momento e transpor a ordem do amor carinho que acomoda , protetor que atrofia, para o “amor dor” que liberta a ambos. É amor, o mesmo amor em outra expressão, a expressão mais importante. Para medirmos nosso verdadeiro amor não podemos ser egoístas nesse momento, não podemos pensar em conforto nesse momento, não podemos pensar em paz fácil, muito menos em “nós mesmos”. Nossas asas estão em jogo, nossa auto-suficiência está em jogo, nossa liberdade está em jogo! As andorinhas levianas dirão é louca impiedosa, os canários lindos ilusionistas cantarão o infortúnio num manifesto a indignação geral, os pardais vulgares dirão amar bem mais por suas simplicidades comodistas e acomodadas, e a águia sentir-se-á só, incompreendida ferida. O filhote pode desistir, mas não deve, não pode negar sua natureza sem lhe comprometer a existência. Mas, desistindo ou não, a força da águia ta dentro dele, ela é a força de Deus, ela ta escrita nele, em cada ato e gesto futuro, em algum momento, vai repetir sua natureza, em liberdade, planando sobre a mediocridade, transpondo “seus” abismos com segurança, como a marca mais rara e indelével, a marca do amor. (Ricardo Souto)

AI-5 DE LULA!?

Arquivar em: TEXTO — Ricardo Souto at 3:05 pm on Sexta-feira, Fevereiro 1, 2008

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CANCRO CRONICO

Li o texto em questão e os respectivos comentários sobre: "CHEIRO DE PERIGO NO AR, AI5 DE LULA" do site CENTRO DE MÍDIA INDEPENDENTE. Bem, sou leigo em política, mas entendo que todos agem de acordo com suas conveniências, morais e materiais seja em que momento histórico for. Acredito que as circunstancias, também, delineiam o caminho de quem se aventure a caminhada. Terá que parar quando chofer, demorar mais por essa ou aquela ameaça, dar meia volta as vezes, de modo que quase sempre se começa com toda uma garra (igenua!?) e ideais até sinceros, mas vai se emaranhando se corrompendo, invertendo, emendando aqui e ali, pra esconder e maquiar, onde se sabe não se ter tão fácil solução esse cancro crônico político econômico social. Onde deveria ser pensado o sanar real do problema, ele é que desperta os interesses sub-repticios de rapinas políticas oportunistas . O erro de Lula é o erro de todos os presidentes e presidenciáveis, não sei de muita coisa não!! sou um homem do povo, sem letras, mas seria muita idiotice, começando pelas promessas de campanhas, imaginar que os problemas de um pais de dimensões continentais como o nosso, possam ser resumidos em panacéias, resumos panfletários de soluções simplistas pra exposição em campanhas políticas ou em momentos mais críticos serem ventilados em pronunciamentos inócuos em horários nobres, ou viagens internacionais milionárias de boa vizinhança enquanto a miséria grassa. A verdade é que ninguém ta preparado prum vídeo game onde a cada etapa que se vence, ou pensa-se estar vencendo, surgem outras derivadas daquela num efeito cascata, aumentado o grau de dificuldade do jogo, aumentando as necessidades de maquiagem e subterfúgios posto que, sanar realmente, em curto prazo, ninguém vai conseguir sanar, mas também ninguém que sair como incompetente. A questão do nosso país é moral, Precisamos de idealistas práticos, políticos mais honestos, que visualizem, vivam, sintam e pensem o problema com a realidade de suas proporções complexas, sem promessas falsas, sabendo que as melhores das intenções( e essas mais ainda) irão esbarrar em suas limitações de autoridade, na sua própria fraqueza, no oportunismo desmedido dos vilões de todas es classes, desde os que sonegam seus mais módicos impostos aos que levam uma vida nababesca a custa do povo. É, o exemplo terá que começar por este herói!. A credito que Haja sinceridade por parte de alguns, talvez do próprio Lula! (não votaria nele novamente!) Nesse caos de contradições, enganos, conchavos, oportunismos, sou do povo! Não sei se me corromperia! não sei faria melhor! Adorei as palavras da Dalva nos comentários acima, ela é bem preparada! Com sinceridade concordo com ela! Mas acho que essa é a hora em que o doente ta morrendo e os médicos devem se preocupar 1º em salvar. Vamos achar soluções a partir da união de esforços de pessoas inteligentes, de boa vontade, bondade, sobretudo piedade com esse povão ?abaixo da linha da pobreza?, que na fome espera notícias que lhe dê pelo menos esperança de dias melhores e que essa esperança também não venha, só personificada, na pele de outro ?herói? Bjs a Dalva e a todos os comentaristas inteligentes daquele site.  (Ricardo Souto)